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Falta verba para casa própria
Procura recorde faz Caixa buscar mais recursos do FGTS para aumentar crédito a mutuários no Rio

Rio - A Caixa Econômica Federal pedirá suplementação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para garantir o financiamento da casa própria para os clientes do Estado do Rio. O orçamento de R$ 1 bilhão para 2008 já está se esgotando. Em algumas agências, contratos estão prontos para serem assinados, mas falta verba. A Caixa passou a fazer remanejamento do dinheiro entre as suas agências e, por isso, decidiu solicitar mais dinheiro ao Conselho Curador do FGTS.

De acordo com o Ministério do Trabalho, a próxima reunião acontece no final de agosto. O ministro das Cidades, Marcio Fortes, anunciou que estuda pedir reunião extraordinária para resolver o problema. De acordo com ele, sempre se recorre à suplementação, mas este ano o recurso acabou mais rápido.

O bom desempenho inclui a melhora na renda dos trabalhadores e a queda das taxas de juros dos financiamentos. Outro ponto positivo foi a quarta edição do Feirão da Casa Própria, que aconteceu em junho no Rio.Para se ter idéia, o empréstimo com dinheiro do FGTS é o que tem a menor taxa: de 5,5% a 8,16% ao ano mais TR (Taxa Referencial) e o prazo de pagamento de até 30 anos, com financiamento de até 100% do imóvel.

A escassez de recursos em algumas agências está prejudicando, principalmente, as imobiliárias que atuam no segmento de imóveis econômicos, como é o caso da Carioca Imobiliária. A empresa está com mais de 15 contratos de clientes esperando a assinatura da Caixa Econômica Federal.

PROCESSO PARADO

“Todo o processo para concessão do crédito imobiliário foi feito. O engenheiro da Caixa já esteve nos imóveis, que estão sendo vendidos, para fazer o laudo de avaliação, além disso, as pessoas deram o sinal e não conseguem assinar o contrato e receber a chave do imóvel”, conta o diretor da imobiliária, Alexandre Costa.

Ele lembra ainda que as famílias com renda mensal de até R$ 1.850 contam com subsídio (desconto) dado pelo governo federal. Quanto menor a renda apresentada maior o bônus.

“Temos uma pensionista que conseguiu R$ 2.500 de desconto no imóvel, que está comprando de R$ 64 mil, mas ainda não conseguiu assinar o contrato”, diz Alexandre Costa. No entanto, a Caixa Econômica Federal informou que as operações com subsídios estão normais em todas as agências da instituição.

Quitação ou refinanciamento

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pode ser usado para quitar ou refinanciar o saldo devedor dos mais de 38 mil mutuários no País, que estão terminando de pagar o contrato habitacional, mas se deparam com um resíduo impagável, na maioria dos casos.

Esses financiamentos foram assinados sem cobertura do FCVS (Fundo de Compensação das Variações Salariais) — valor cobrado a mais na prestação para evitar saldo no fim do contrato.

A Emgea (Empresa Gestora de Ativos), criada para sanear os financiamentos em desequilíbrio da Caixa, informa que os descontos podem chegar a 90% para regularização da dívida. A instituição informa que os mutuários estão sendo avisados por carta. A iniciativa visa orientar os mutuários que terão seus contratos refinanciados automaticamente, por causa do resíduo. A conseqüência disso será uma prestação quase impagável.

A vantagem é que, além do desconto para quitação, a taxa de juros será de 8% ao ano mais TR para quem for refinanciar, com a garantia de que não haverá novo resíduo no fim do prazo.

Imóvel garante empréstimo

Cresce o número de pessoas usando o imóvel como garantia de empréstimo pessoal. A modalidade, conhecida como “home equity”, já é usada em outros países. Santander, Matone, Morada, BM Sua Casa e a Domus já oferecem o produto. Para usar a linha, é preciso ter imóvel quitado e registrado.

De acordo com o superintendente comercial do Banco Matone, Mauro Costa, os diferenciais são os juros mais baixos e a flexibilização do uso do dinheiro, que não tem destinação específica, como acontece em outros financiamentos.

“O cliente poderá utilizar a verba para reformar o imóvel, comprar a casa de praia, custear o estudo do filho no exterior, trocar de carro, adquirir um barco, entre outros”, exemplifica Costa.

No Matone, a taxa de juros cobrada ao mês é de 1,59%, mais variação do IGP-M (Índice Geral de Preço do Mercado), Medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M acumula em junho alta de 13,44% , nos últimos 12 meses. O contrato é assinado pela tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), que faz as prestações diminuírem ao longo do contrato. O prazo de pagamento exigido é de 10 anos. O crédito pode ser de até 40% do valor do imóvel.

O banco Santander também oferece o produto com empréstimos de R$ 20 mil a R$ 500 mil, respeitando o teto de 60% do valor do imóvel. A renda mínima exigida é de R$ 1.875. As parcelas podem comprometer, no máximo, de acordo com a instituição financeira, 27% dos rendimentos das famílias. A taxa de juros varia de 1,79% a 1,83% ao mês.

(Fonte: O Dia - Rio de Janeiro, 21 de julho de 2008)

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