Especialista
em mercado imobiliário fala sobre os critérios de
avaliação de imóveis no Rio
Publicada
em 05/05/2009 às 14h31m
Ystatille Gondim
RIO - Com
a ampliação de crédito para compra de um
imóvel financiado, ficou mais fácil ter a casa
própria. Mas, na hora de procurar uma moradia no Rio de Janeiro,
surgem aquelas famosas
dúvidas: o que comprar e onde comprar? Para não ficar
perdido na hora de olhar o caderno de classificados, é preciso
estar atento aos fatores que influenciam na avaliação da casa.
Existem vários ítens que contribuem para a
valorização ou desvalorização de um
imóvel. No mercado imobiliário do Rio, observa-se nos
novos lançamentos
uma tendência a projetos de apartamentos com salas grandes e
quartos pequenos. Em alguns casos, domicílios compactos
apresentam um preço no mercado superior a moradias maiores. Para
esclarecer essas e outras dúvidas, o site do Morar Bem conversou
com o presidente do Conselho Regional de Corretores Imobiliários
do Rio
de Janeiro
(Creci-RJ), Casimiro Vale, sobre os critérios de
avaliação de apartamentos no Rio de Janeiro.
Confira Quais
os fatores mais importantes na avaliação de
imóveis residenciais no Rio de Janeiro?
A
localização, a vizinhança e os meios de transporte
são fatores que contribuem para a valorização do
imóvel. Os serviços públicos e a proximidade da
praia também influenciam
positivamente no valor da moradia. Não é preciso ter uma
escola ou hospital na porta de casa, mas que estejam, pelo menos, a 50
metros de distância. Os bairros que mais oferecem todos esses tipos de
serviço são os da Zona Sul, além da Tijuca e do
Méier. Quem mora em bairros periféricos, desprovidos de
equipamentos de apoio ao cotidiano
como os serviços bancários, precisa se deslocar para
áreas centrais. A questão de transporte é
fundamental para todos os bairros. É preciso que o deslocamento
seja rápido. O ponto
de referência de destino é o Centro do Rio. A proximidade
de estações de metrô contribui para a
valorização. É fator importante também a
tranquilidade, as
ruas arborizadas,
as praças e demais locais de convívio. O que conta mais
é a vizinhança, o imóvel se valoriza com a
vizinhança.
O que pesa mais na avaliação
de um imóvel hoje no Rio, o tamanho dos quartos, da sala ou a
fachada?
Hoje, os
imóveis mais modernos não têm cômodos
grandes. O que pesa mais são os serviços do
próprio empreendimento, as vagas na garagem, o tipo de elevador.
Também pesa na
valorização a área de lazer, a piscina e a rua. As
pessoas gostam de morar num lugar bonito. Mas há quem prefira
imóveis maiores, encontrados em prédios antigos.
Qual a diferença de valor entre a
avaliação de um imóvel novo e um usado?
O
imóvel desvaloriza um por cento ao ano conforme a idade. Um dos
fatores que conta na desvalorização do imóvel
usado é a ausência de vaga de garagem e de elevador.
Com relação à
segurança, qual a desvalorização alcançada
por uma moradia em áreas de risco?
Às
vezes, o mesmo prédio tem colunas mais valorizadas do que
outras. As que estão de frente para o risco são mais
desvalorizadas. O prédio devassado também perde o valor.
Critérios como
ventilação e iluminação ainda têm
peso significativo na avaliação?
No Rio de
Janeiro, a posição dos imóveis voltados para o sol
da tarde é um fator de desvalorização. Com peso
positivo na avaliação está a
iluminação e ventilação direta dos
banheiros.
O carioca tem interesses diferentes de
moradia de acordo com a renda?
Com
certeza, com o aumento da renda, as pessoas procuram mudar de bairro ou
de rua. Tem imóvel que não adianta melhorar
serviços, nem botar ouro, porque a rua, a vizinhança não contribui
para a valorização.
Como você descreveria o tipo de
imóvel mais procurado pelo carioca?
O
imóvel mais procurado pelo carioca é o sala e dois
quartos para um casal e dois filhos. Quando o casal tem dois filhos de
sexos diferentes, procura um imóvel de três quartos. Agora é um bom momento
para comprar por causa das facilidades. Não sabemos até
quando vamos ter recursos para o mercado imobiliário. Devemos
aproveitar essa oportunidade.
Fonte: Jornal O Globo, caderno Morar Bem
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